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Google escapa de vender o Chrome, mas sofre dura restrição

Decisão faz parte de processo antitruste histórico que concluiu que a empresa mantém monopólio ilegal no mercado de buscas online

Juiz batendo martelo com letreiro do Google ao fundo
Big tech não poderá mais buscar exclusividade em seus contratos do Search (Imagem: Sergei Elagin/Shutterstock)

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Um juiz federal dos Estados Unidos determinou, nesta terça-feira (2), que o Google poderá manter seu navegador Chrome, mas ficará proibido de firmar contratos de exclusividade para a promoção de seu buscador. A decisão faz parte de um processo antitruste histórico que concluiu que a empresa mantém um monopólio ilegal no mercado de buscas online.

O juiz Amit P. Mehta, da Corte Distrital do Distrito de Columbia, rejeitou o pedido do Departamento de Justiça (DOJ) para que a companhia fosse obrigada a se desfazer do Chrome ou do sistema operacional Android.

Logo do Google Chrome
Gigante das buscas não precisará vender o Chrome… (Imagem: Gargantiopa/Shutterstock)

“O Google não será obrigado a alienar o Chrome; nem o tribunal incluirá uma alienação contingente do sistema operacional Android na sentença final”, afirmou a decisão. Para o magistrado, os autores da ação “exageraram ao procurar a alienação forçada desses ativos essenciais, que o Google não utilizou para efetuar quaisquer restrições ilegais”.

Google ganha, mas perde

  • Apesar de manter o navegador, a empresa não poderá celebrar contratos de exclusividade com fabricantes de dispositivos para distribuir o Google Search, o Chrome, o Google Assistente e o aplicativo de inteligência artificial (IA) Gemini;
  • Ainda assim, continuará autorizada a realizar pagamentos para que seus produtos sejam pré-instalados, desde que sem exclusividade. “O Google não será impedido de fazer pagamentos ou oferecer outras compensações aos parceiros de distribuição para pré-carregamento ou posicionamento do Google Search, Chrome ou seus produtos de IA generativa”, determinou Mehta;
  • Entre os pedidos do DOJ, estava, também, o fim da prática chamada de “sindicação forçada“, em que o Google fechava acordos para garantir que seu buscador fosse a opção padrão em navegadores e smartphones;
  • Atualmente, a empresa paga bilhões de dólares por ano à Apple para ser o buscador padrão do iPhone.

Após a decisão, as ações da Alphabet (controladora do Google) subiram 6% nas negociações estendidas, enquanto os papéis da Apple avançaram 4%, segundo dados da CNBC.

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Página de busca do Google
… mas não pode firmar contratos exclusivos para que seu buscador não tenha concorrência (Imagem: Aria sandi hasim/Shutterstock)

Big tech acusada de monopólio

Em agosto de 2024, Mehta havia concluído que o Google violou a Seção 2 do Sherman Act, que proíbe monopólios, ao manter barreiras de entrada que reforçaram seu domínio no mercado de buscas.

O julgamento sobre as medidas a serem aplicadas ocorreu em maio deste ano. Durante as audiências, o DOJ chegou a pedir que o Google fosse obrigado a compartilhar dados usados na geração de resultados de busca, como os registros de cliques de usuários.

O caso, aberto em 2020, é considerado um marco por ser o primeiro de uma série de processos de monopólio movidos contra gigantes da tecnologia pelo DOJ e pela Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês). As ações podem redesenhar o cenário competitivo do Vale do Silício.

O Google nega ter cometido irregularidades e já anunciou que recorrerá da decisão, o que pode atrasar a aplicação das penalidades.

Logo do Google em um smartphone
Após decisão, ações da Alphabet (controladora do Google) subiram 6% nas negociações estendidas (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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